Poesia: J.G.G.

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a palavra delicada chama-se ‘não sei’. quando aprendo. e entendo. e esqueço e vou além. escrever sem ter o que. escrever só pra você. porque fazia muito tempo que eu não escrevia. e agora eu quis escrever. lembrar um pouco. “if you stayed over”. o que eu queria era lembrar de um poeminha familiar que dizia de uma tal flor. vou anotá-lo aqui. com licença poética toda. mas esse poeminha é especial:

O Sol era um marzinho sonâmbulo: uma folha
amada no corpo dos pássaros, espiga
de milho no dorso m0lhado dos caminhos
do ar, as vagas de peixes nuvens.
as nádegas de azuis, olhares de céus,
nucas de morro.

Margarida olhava estrada.

No outro dia, a chuva era verde,
a chuva era um seio verde, a chuva
era um abrir de coxas verdes,
e era mansa,
no morro, nas casas, nos caminhos.
A chuva bonita com suas espigas
envidraçadas de mundo,
a chuva com o pólen, o chão
na dor daquela esperança vivida, o doce corpo escuro.

Margarida olhando estrada.

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